A frota de pesca chinesa é uma ameaça para o estoque pesqueiro mundial. A consideração foi feita pelo Greenpeace, que há mais de um ano já havia denunciado que diversas embarcações oriundas da China fazem diariamente capturas em zonas de proibição na costa da África.

Para se ter uma ideia do estrago da frota chinesa em águas africanas, o Greenpeace calcula que nos anos 1980 a estimativa de captura era de 300 mil toneladas. Já em 2009 o número era 12 vezes maior: 3,6 milhões de toneladas. Em apenas 26 dias, ambientalistas da ONG registraram 16 casos de pesca ilegal na Guiné-Bissau.

“Os pescadores locais não conseguem competir com as máquinas chinesas. Tem ficado cada vez mais difícil conseguir as capturas nas proximidades da costa africana”, informa o Greenpeace.

Especula-se que a frota chinesa tenha cerca de dois mil barcos prontos para a pesca em massa (long line, redes e bomba), o que seria dez vezes mais que a quantidade dos Estados Unidos e de outras potências pesqueiras, como a Noruega.

O Parlamento Europeu também estima que a quantidade de pescados capturada anualmente pela China pode ser “fraudada”. Um estudo mostrou que entre 2000 e 2011 barcos de pesca chineses produziram 3,1 milhões de toneladas pescados apenas nas águas do Oeste Africano, dos quais cerca de 2,5 toneladas foram capturas ilegais. Contudo, este número pode ser até 12 vezes maior.
 
Vale destacar que barcos chineses são constantemente flagrados por Marinhas nacionais e acabam até afundados. Casos recentes se deram na Indonésia e até mesmo na vizinha Argentina, em março deste ano.

No entanto, segundo o pesquisador Dirk Zeller, da Universidade de Columbia, no Canadá, o caminho para solucionar o problema com os chineses não é bélico.

“Os países que detectam constante presença de chineses em suas águas precisam firmar acordos e exigir que prestem contas. Eles precisam ser vidamente vistoriados nos países onde pescam. Só assim haverá controle”, avalia.