Quatro navios rebocadores estão sendo afundados nesta quarta-feira na costa do Recife, ampliando o Parque dos Naufrágios de Pernambuco. A ideia é criar novos recifes artificiais na costa do estado. As embarcações naufragadas proporcionam refúgio e habitat para a vida marinha, estabelecendo uma cadeia alimentar. Atualmente, 14 rebocadores já estão afundados. O último naufrágio proposital aconteceu em 2009. Depois de oito anos, o número vai passar para 18, aumentando o potencial turístico e de sustentabilidade do estado.

Estão sendo afundados quatro rebocadores: Bellatrix (30 metros de comprimento), Phoenix (30 metros), São José (24 metros) e Virgo (26 metros). Os três primeiros serão submersos de uma vez. O afundamento simultâneo de três embarcações é inédito. Eles ficarão a uma distância de 13 km da costa a uma profundidade de 28 metros. Já o rebocador Virgo será afundado a 11 km do Porto do Recife e ficará a 25 metros de profundidade.

O processo deve durar cerca de 10 horas, começando às 7h e terminando por volta das 17h. Os três primeiros barcos sairam juntos, puxados entre si com uma corda. Após serem preparadas com a eliminação de combustíveis, contaminantes e outros materiais perigosos; as embarcações são naufragadas por meio da abertura das válvulas, que permite a inundação gradual.

Embarcações afundadas são consideradas excelentes pontos de mergulho, atraindo turistas de todo o mundo. A expectativa da Secretaria de Turismo de Pernambuco, que apresentou o projeto Mergulhe Pernambuco é de que o número de visitantes aumente neste ano. “Pernambuco já é considerado um dos principais destinos do Brasil e do mundo em relação a isso. Esses novos pontos vão promover ainda mais nosso turismo e aumentar nossa visibilidade como destino do turismo de aventura”, afirmou o secretário de Turismo do estado, Felipe Carreras.

Em 2016, foram vendidos cerca de 450 pacotes turísticos para conhecer o parque dos naufrágios artificiais. Desses, 160 foram comprados por argentinos. Além da capital pernambucana, Fernando de Noronha, Abrolhos (Bahia) e Bombinhas (Santa Catarina) contam com parques de embarcações naufragadas. O Rio Grande do Norte estuda a implantação de um projeto semelhante. A criação de recifes artificiais começou na década de 1820, nos Estados Unidos.

De acordo com o biólogo Henrique Maranhão, da UFPE, além das vantagens econômicas, pelo incremento no turismo, a ação traz benefícios ao meio ambiente. “Os naufrágios atraem organismos, que ficam aderidos à superfície. Com isso, peixes começam a se interessar pela área e chegam procurando abrigo e alimentação”, frisou o pesquisador.