A expedição comandada pelo Greenpeace que está identificando e catalogando recifes de corais descobertos há pouco mais de um ano na costa do Amapá, apresentou neste sábado (28) as primeiras imagens do raro ecossistema formado na região amazônica.

A impressão inicial dos recifes, localizados a 220 metros de profundidade, surpreenderam os pesquisadores que identificaram esponjas, corais e rodolitos e um grande paredão formado por carbonato de cálcio. A estrutura abriga diversas espécies de peixes, como atum e cioba. 

A expedição acontece a 100 quilômetros do litoral do Amapá e os pesquisadores estão a bordo do navio Esperanza, considerado o maior barco ecológico do Greenpeace. O acesso às profundezas é feito em dois submarinos. A expedição iniciou em 24 de janeiro e vai durar ao todo 16 dias pelo Oceano Atlântico.

A descoberta do recife é recente. Eles foram citados pela primeira vez em maio de 2016 por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que explorou a costa Leste do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa. Os estudos da época utilizaram redes para recolher fragmentos dos corais. A viagem do Greenpeace é a primeira a descer na área.

Como são de água barrenta, eles têm características próprias até então nunca vistas na ecologia marinha e abrangem uma área de 9,3 mil quilômetros quadrados, cerca de 20% maior que a região metropolitana de São Paulo.

O professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que teve acesso ao local, descreveu ainda a variedade de peixes e algas no entorno dos recifes, acrescentando até uma nova espécie de peixe-borboleta.

“Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirmou.

A proposta da expedição é chamar a atenção de petrolíferas que ganharam o leilão para explorar a costa do estado, o que, segundo os ativistas, poderia acabar com a vida dos corais.

"Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema", disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Para o Greenpeace, os recifes estão ameaçados pelo fato de estarem localizados dentro dos lotes a serem explorados pelas duas petrolíferas que ganharam a licitação feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2013. O arremate total foi de R$ 802 milhões.