Ativistas do Greenpeace embarcaram nesta terça-feira (24) do porto de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, ruma à foz do rio Amazonas, no litoral do Amapá, para registrar imagens inéditas de recifes de corais descobertos por pesquisadores em maio de 2016.

A proposta é chamar a atenção de petrolíferas que ganharam o leilão para explorar a costa do estado, o que, segundo os ativistas, poderia acabar com a vida dos corais. A expedição vai durar 16 dias e utiliza o Esperanza, considerado o maior barco ecológico do Greenpeace. Ele levará um submarino que auxiliará no registro na profundeza da foz do rio Amazonas.

“Queremos defender os corais da Amazônia e toda a região da foz do rio Amazonas da ganância corporativa, que coloca o lucro na frente do meio ambiente”, disse o ativista Thiago Almeida, da Campanha de Energia do Greenpeace.

 A descoberta do recife é recente. Eles foram citados pela primeira vez em maio de 2016 por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que explorou a costa Leste do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa. De acordo com a pesquisa, os recifes são formados por corais, esponjas e algas calcárias.

Como são de água barrenta, eles têm características próprias até então nunca vistas na ecologia marinha e abrangem uma área de 9,3 mil quilômetros quadrados, cerca de 20% maior que a região metropolitana de São Paulo. A profundidade chega a 120 metros, segundo o pesquisador.

Para o Greenpeace, os recifes estão ameaçados pelo fato de estarem localizados dentro dos lotes a serem explorados pelas duas petrolíferas que ganharam a licitação feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2013. O arremate total foi de R$ 802 milhões.

“Com o navio, vamos mostrar ao mundo os corais da Amazônia e deixar claro porque as companhias devem desistir já do plano absurdo de explorar petróleo naquela área”, afirma Thiago Almeida.

Exploração

Nos dias 14 e 15 de maio de 2013, a Agência Nacional de Petróleo leiloou 14 blocos para exploração de petróleo no litoral do Amapá. O total dos arremates somou R$ 802.892.000, o que representa quase 30% de toda a licitação leiloada pela ANP, que alcançou a cifra de R$ 2,2 bilhões.

A Foz do Rio Amazonas estende-se ao longo da costa do estado do Amapá e da Ilha de Marajó (Pará); e  tem potencial para descoberta de gás e óleo leve.

O investimento mínimo obrigatório em pesquisas a serem realizadas pelas empresas no Amapá vai ser de R$ 1,624 bilhão e terá a duração de oito anos ao longo das costas dos municípios de Amapá, Calçoene e Oiapoque.