O furacão Matthew foi rebaixado para a categoria de ciclone pós-tropical neste domingo (9), quando atingiu a Carolina do Norte e a Virgínia com um reduzido mas ainda potente impulso, causando inundações e interrupções generalizadas no fornecimento de energia ao longo da costa do Atlântico nos Estados Unidos, depois de matar centenas de pessoas no Haiti.

A mais poderosa tempestade do Atlântico desde 2007 trouxe chuvas torrenciais e ventos fortes ao cruzar o norte, após passar pela costa sudeste dos Estados Unidos, matando ao menos 11 pessoas na Flórida, Geórgia e Carolina do Norte desde a quinta-feira e deixando mais de dois milhões de empresas e residências sem energia elétrica.

Os danos nos Estados Unidos, no entanto, foram muito menores do que no Haiti, onde o Matthew tirou até o momento em torno de 1000 vidas. Ao menos 13 pessoas na ilha caribenha também morreram de surtos de cólera desde a tempestade e cerca de 61.500 pessoas tiveram de ir para abrigos, segundo as autoridades.

O Matthew continua a ameaçar comunidades costeiras da Carolina do Norte e Virgínia, onde avisos de enchentes estavam em vigor e rajadas de vento de 120 quilômetros por hora foram registrados.

Furacão tocou o solo neste sábado

Neste sábado, na Carolina do Sul, o furacão tocou o solo perto da cidade de McClellanville, a norte de Charleston, de acordo com o NHC, que alertou que um "evento grave de inundação" ocorreu na área. Em Chaleston, as ruas do centro da cidade estavam inundando até a altura dos pneus dos carros, e alguns moradores andavam pelas ruas com a água na altura das costas, enquanto a maré alta se aproximava.

As autoridades do estado ordenaram a evacuação de 300 mil a 500 mil pessoas de áreas de risco para refúgios em áreas mais no interior, embora isto "não seja suficiente", segundo a governadora Nikki Haley.

Na Flórida, as estradas em Jackson Beach ficaram cheias de entulho e madeira. Cercas e toldos foram derrubados em edifícios em frente ao mar.

O governador Rick Scott, da Flórida, disse que mais de 6 mil pessoas passaram a noite em abrigos entre sexta e sábado, mas ele mostrou-se aliviado pelo fato de a tempestade não ter provocado maiores danos.

O presidente americano, Barack Obama, declarou estado de emergência em Flórida, Geórgia e Carolina do Norte e do Sul.

Devastação no Haiti

No Caribe, a passagem do Matthew com ventos de até 230 km/h causou grande destruição no Haiti, especialmente na parte do sul do país, que é o mais pobre das Américas. Milhares de casas foram destruídas, e cidades ficaram inundadas. As mortes ainda não foram calculadas, mas estima-se que quase chegam a 900 vítimas.

"Considerando as dificuldades de acesso a certas zonas e, sobretudo, as dificuldades de comunicação, não podemos dar um balanço definitivo antes de quarta-feira (12)", disse à AFP a diretora de Defesa Civil, Marie-Alta Jean-Baptiste.

Algumas autoridades locais das zonas afetadas estimam que o balaço oficial, de 336 mortos, é subestimado. Segundo o senador Hervé Fourcand, o furacão Matthew causou a morte de pelo menos 400 pessoas no departamento Sul, que ele representa, enquanto que a Defesa Civil só contabilizou 78 mortes neste local.

 

"Somos muito prudentes frente a certos números que vemos circular, sem que necessariamente saibamos quem os comunicou e sem que tenhamos detalhe sobre as circunstâncias das mortes", comentou Jean-Baptiste.

As cidades de Miragoâne, Les Caye e Jeremie, todas ao sul, ficaram isoladas e foram totalmente devastadas. Para lá foi deslocado o comando do Brasil das tropas internacionais da ONU na missão depaz no Haiti (Minustah) e cerca de 330 soldados brasileiros.

Diante da dimensão das perdas humanas e materiais, o presidente provisório Jocelerme Privert decretou neste sábado (8) três dias de luto nacional, pouco antes de embarcar para a cidade de Jérémie, capital do departamento de Grande Anse, o mais atingido pelo desastre.

No Caribe, o furacão também passou pela Republica Dominicana, onde quatro pessoas morreram, por Cuba e pelas Bahamas, de onde seguiu para o sudeste dos EUA.