De volta a Baja Califórnia Sur - México, desta vez para defender o título da copa do mundo de águas azuis conquistado em 2015, como de costume minha bagagem não chegou, passei o dia tenso e apenas a noite consegui meu equipamento que foi entregue no aeroporto de La Paz.

Nos dois dias anteriores ao torneio aproveitei para fazer o reconhecimento da área e melhorar a parte física, muitos olhos de boi e caranhas marcadas para o dia da prova.

A água estava fria, por volta de 20° na tona e no primeiro dia esfriou mais ainda, assim como no ano anterior, apesar de ser um torneio de peixes pelágicos a direção da prova autorizou um peixe de recife para toda a competição.

Naturalmente esse peixe teria que ser uma caranha que é o mais abundante entre os peixes grandes de recife, o plano era um com pelo menos 20 kg.

A competição iniciou-se e após nenhum peixe avistado, fiquei entretido com 4 caranhas de bom tamanho que brincavam de entrar e sair da popa de um barco naufragado, após alguns mergulhos e provavelmente por não estar vendo nenhum peixe, resolvi arpoar o pargo de maior tamanho, o tiro entrou de cima para baixo e após muita briga o arpão se soltou com o peixe correndo para se entocar no naufrágio.

Voltei no barco e peguei uma lanterna, ao iluminar o buraco encontrei a caranha deitada no fundo do buraco, neste momento verifiquei que o peixe não tinha o peso que eu desejava ou seja 20 kg !

Enquanto retornava a superfície pensei no que fazer, se confirmava o peixe ou não, considerando a possibilidade da morte do peixe resolvi embarca-lo, ao subir no barco notei que de fato não era grande (14kg), agora era torcer que ninguém matasse um grande, até o fim da etapa ainda embarquei um pequeno rainbow chub de 1,8 kg !

Chegamos a praia para a pesagem, pesei meus peixes e fiquei na expectativa da chegada dos demais para ver se alguém tinha conseguido algum peixe grande, como ja imaginava minha caranha era de fato pequena, Alexandre Yamagushi matou uma de 24 kg e abriu vantagem, como no ano anterior teria que correr atrás do prejuízo !

 

Segundo dia de prova e a água esfriou de vez, nem sinal dos olhos de boi e para não zerar matei outro rainbow de 2 kg que ajudou a diminuir a distancia do lider para 7,5 kg, para complicar mais ainda, o americano que no primeiro dia matou um wahoo de 8 kg matou uma caranha e me passou me deixando em terceiro lugar.

Acordei para o ultimo dia e a vibração era altamente positiva, incrível, mesmo achando que repetir o feito seria muito difícil, aquilo não saia da minha cabeça. Foi o dia que conseguimos embarcar mais cedo e exatamente na hora da largada as 7 da manha estávamos prontos para partir já com a roupa vestida !

Fui logo conversar com o barqueiro para definir nossa estrategia, perguntei: o que vamos fazer ?

Ele me disse: tengo un punto secreto para gaios !!!

Arregalei o olho mostrando interesse, si mui acerca ( muito perto ) e apontou para a praia a nossa direita, disse a ele que pensava em ir em outro lugar, onde tinha visto muitos peixes nos outros dias, ele falou: é perto, o barco é rápido, vc da 2 ,3 mergulhos e se não tiver nada vamos para onde vc quer ir, com tamanha insistência e firmeza não pude resistir e partimos para o punto secreto !

Em 20 minutos estávamos lá e após uns 5 mergulhos após atirar um flasher surgiu um lindo gaio como em um conto de fadas, veio rápido e arisco, atirei no reflexo, não vi nem onde acertou, segurei o cabo e fui rebocado por alguns metros, quando cansou consegui segurá-lo e embarcá-lo.

Sensacional, o raio caiu duas vezes no mesmo lugar, fiquei em êxtase, porém sabia que era o inicio da prova aquele peixe no minimo empatava a competição e precisava de mais algum para garantir.

Fomos para Cerralvo e depois de muita procura nada de novo, resolvemos então ir a La Reina, pesqueiro que no treino era abundante de olhos de boi. No caminho entre a ilha e o parcel mais uma cena espetacular, um marlin enorme saltou fora dágua ao mesmo tempo vimos outro próximo ao barco, me arrumei e assim que o barqueiro falou pulei na água, alguns momentos de tensão mas o peixão não apareceu, enquanto isso o pessoal do barco avistou outro Marlin, Leo pulou na água e viu passar por ele o que o mesmo denominou de espaçonave, um marlin azul que acredita ele com mais de 200 kg, passou longe não permitindo chance de tiro.

Chegamos a La Reina e após algumas horas sem avistar nada, resolvi ir na pedra em que estavam os peixes nos primeiros dias, após alguns mergulhos notei que a água não estava tão fria no fundo, pedi para o barqueiro colocar a bóia, pressenti que os peixes estavam lá, dito efeito apareceu um olho de boi de 15 kg, não se aproximou, como precisa subir atirei de longe, o tiro foi certeiro mas pegou na espinha e quando puxei, se soltou, alguns segundos de apreensão mas logo a confiança voltou tinha certeza que veria outro, o movimento de peixes era muito grande.

Dito e feito, mais uns 10 mergulhos e apareceu um olho de boi maior ainda 19 kg, o tiro foi perfeito, a Divecom Argos 130 brilhou e o peixe apagou ! faltando 1 hora para o fim do campeonato a certeza da vitoria era grande e a festa começou ali mesmo !!!

Agora não tem mais jeito, ano que vem estarei lá novamente para defender o caneco, sem duvidas foram os dois campeonatos mais incríveis que venci, o Mar de Cortez é um lugar muito especial, finalizando quero agradecer o apoio de todos que sempre deram força nos momentos difíceis, ao Clube dos Marimbas, Divecom, e XT Diving Pro

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Por: Paulo Jr

 

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